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quinta-feira, 27 de junho de 2024

Um novo formato para a Eurocopa

O aumento de times participantes da Eurocopa – de 16 para 24 – trouxe prejuízos para a competição. Além de colocar no torneio oito times de teoricamente mais fracos (pelos resultados das eliminatórias, seriam Polônia, Ucrânia, Geórgia, Sérvia, Suíça, Eslovênia, Eslováquia e Itália), o número 24 força a criação de um regulamento ruim.

Como 24 não é potência de 2 (diferentemente de 16 e 32), o regulamento necessariamente vai ter que usar uma de duas soluções ruins: ou faz grupos com 3 times (já que é inviável fazer grupos com 6) ou classifica os quatro melhores terceiros colocados, como tem acontecido nos torneios continentais recentes.

Esse regulamento tem dois problemas. O primeiro é que recompensa duplamente quem cai num grupo fraco: além de pegar um adversário fácil dentro do grupo, ganha três pontos fáceis que vão ajudar na comparação contra seleções de outras chaves, se ficar em terceiro lugar.

O outro problema é que as partidas da primeira fase acabam valendo pouco, principalmente para os times mais fortes. Como a maioria dos grupos classifica três times, os candidatos ao título não correm o menor risco de serem eliminados, mesmo sem jogar bem. Além disso, é visível a queda de produção dessas equipes na última rodada, o que distorce os resultados – a Geórgia, por exemplo, foi muito beneficiada por enfrentar Portugal na última rodada.

Um outro regulamento

Existe outra possibilidade de regulamento para torneios com 24 times – ou com 48, como será a próxima Copa do Mundo. As equipes ainda seriam divididas em 6 grupos de 4, mas apenas duas de cada chave passariam de fase – totalizando 12 classificadas. A grande novidade é que, dentre esses times, os 4 melhores primeiros colocados passariam diretamente para as quartas-de-final, enquanto os outros 2 líderes de chave se juntariam aos segundos colocados numa fase intermediária.

Essa proposta não resolveria o primeiro problema, de favorecer duplamente quem caiu numa chave fraca. Mas resolveria o segundo, tornando os jogos da fase de grupos mais decisivos e incentivando os melhores times a darem tudo de si mesmo depois de classificados – afinal de contas, o “bônus” de pular uma fase é muito grande. No caso da Copa do Mundo, esse regulamento ainda teria a vantagem de tornar possível que uma equipe seja campeã disputando 7 jogos, mesma quantidade do formato antigo.

Como curiosidade, apresento abaixo como ficaria o mata-mata da Euro-2024 no formato proposto. Claro que há uma dose de “chutômetro”, já que o desempenho dos times seria diferente com outro regulamento, e o cruzamento das equipes também teve que ser adaptado. Mas vale a experiência para ver como a fase decisiva seria interessante:

 

Segunda fase

Quartas-de-final

Semifinal

Final

 

 

 

 

Suíça

 

 

 

Inglaterra

 

 

 

 

Espanha

 

 

Dinamarca

 

 

 

Itália

 

 

 

 

Alemanha

 

 

França

 

 

 

Bélgica

 

 

 

 

Portugal

 

 

Romênia

 

 

 

Turquia

 

 

 

 

Áustria

 

 


 

terça-feira, 12 de março de 2024

10 Estreantes para a Copa do Mundo de 2026

Uma tradição que mantenho desde que criei este blog é tentar acertar quais serão as seleções que disputarão uma Copa do Mundo pela primeira vez no Mundial seguinte. A cada quatro anos, publico uma lista com meus 10 favoritos e depois vejo se acertei os estreantes.

Em 2026, a FIFA aumentou o número de participantes na Copa para 48 times. Assim, é provável que tenhamos uma quantidade grande de novidades no torneio. Vejamos, então, quais países têm as melhores chances:

 

1. Mali

A seleção africana é a mais bem colocada no ranking da Fifa entre aquelas que nunca disputaram uma Copa do Mundo. Nas últimas eliminatórias, chegou bem perto de se classificar, caindo no playoff de acesso. Agora, está num grupo acessível, tendo como principal adversário Gana, que não passa por grande fase.

 

2. Jordânia

A Ásia terá pelo menos oito representantes na próxima Copa do Mundo, sendo que, em toda história, apenas 11 times do continente disputaram o Mundial (e isso inclui times que hoje são fraquíssimos, como Indonésia, Kuwait e Coreia do Norte). Então, será uma grande surpresa se não houver pelo menos um estreante no continente. Embora não tenha apresentado futebol consistente nos últimos anos, a Jordânia aparece como principal favorita. Afinal, se conseguiu ser vice-campeã da Copa da Ásia (derrotando Iraque e Coreia do Sul no caminho), não parece difícil que fique entre as oito melhores do continente.

 

3. Venezuela

A Venezuela, único time da Conmebol que nunca disputou uma Copa do Mundo, apareceu em todas as listas de possíveis estreantes que já fiz. Será que agora vai? Considerando que passaram a ser seis ou sete vagas para apenas dez times e que a Venezuela começou bem as eliminatórias, as chances de a Vinotinto viajar para os EUA em 2026 são muito boas.

 

4. Uzbequistão

Outro time que é presença constante na lista de possíveis estreantes é o Uzbequistão. O país da Ásia Central já chegou perto da vaga várias vezes. Embora não tenha feito uma boa Copa da Ásia, espera-se que consiga no mínimo um lugar na repescagem intercontinental.

 

5. Albânia

Prever os estreantes na Europa é difícil, já que ainda não foi feito o sorteio dos grupos para as eliminatórias do continente. Olhando o desempenho recente das seleções, quem teria a melhor chance é a Albânia, que conseguiu se classificar com relativa folga para a Euro-2024. O time depende de evitar adversários fortes em sua chave para ter chances reais.

 

6. Finlândia

No ranking mundial elaborado por este blog, a Finlândia é o país mais bem colocado (46º) entre os que nunca disputaram uma Copa do Mundo. Assim como a Albânia, depende de cair em um grupo fácil para ter chances de classificação, mas seu desempenho nas eliminatórias da Eurocopa e na Nations League mostram que esse não é um sonho absurdo.

 

7. Ilhas Salomão

A mera ideia de ter uma seleção fraquíssima como a das Ilha Salomão numa Copa do Mundo deveria ser motivo de piada. Mas, graças à genial ideia da Fifa de dar uma vaga direta para a Oceania, basta uma zebra em uma única partida para que isso aconteça – ou seja, as Ilhas Salomão (ou qualquer outro nanico) vencer a Nova Zelândia durante as eliminatórias. E ainda haverá uma segunda oportunidade para que a zebra aconteça, na repescagem intercontinental. É difícil? Claro que é. Mas lembre-se que um resultado desse tipo já levou o poderoso Taiti a disputar a Copa das Confederações em 2013.

 

8. Cabo Verde

Os Tubarões Azuis podem ser a quarta seleção de língua portuguesa a disputar uma Copa do Mundo na história. O time já mostrou que, num dia bom, pode encarar de frente qualquer time africano e conseguiu chegar às quartas-de-final da última Copa Africana de Nações. Seu principal adversário pela vaga será Camarões – equipe inegavelmente mais forte, mas bastante irregular.

 

9. Guatemala

Apesar do grande número de vagas na Copa do Mundo – de seis a oito times, incluindo os três anfitriões –, não é muito provável que tenhamos um estreante na Concacaf. Dentre os candidatos, o que tem as melhores chances é a Guatemala, que já provocou algumas zebras e chegou até as quartas-de-final na última Copa Ouro.

 

10. Burkina Fasso

 A seleção burkinabe não tem conseguido resultados impressionantes, mas se mantém constante no “segundo escalão” da África. O que aumenta suas chances de classificação é ter caído no grupo aparentemente mais fácil das eliminatórias, que tem como cabeça-de-chave a Argélia, seleção que anda em má fase – inclusive caiu na primeira etapa da CAN, sem nenhuma vitória.