segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Campeonatos de futebol mais equilibrados do mundo (2015-16)

A nova temporada do futebol europeu já começou, mas ainda dá tempo de darmos uma olhada em como se comportou o Índice de Equilíbrio dos principais campeonatos de futebol do mundo em 2015-16. Confira:

Pos
Campeonato
Índice
1
Campeonato Brasileiro (Série A) 2015
64,7
2
Campeonato Brasileiro (Série B) 2015
60,6
3
Campeonato Francês 2015/6
58,5
4
Campeonato Escocês 2015/6
57,0
5
Campeonato Inglês 2015/6
53,4
6
Campeonato Alemão 2015/6
53,0
7
Campeonato Argentino 2015
51,2
8
Campeonato Espanhol 2015/6
50,5
9
Campeonato Turco 2015/6
49,7
10
Campeonato Italiano 2015/6
49,6
11
Campeonato Russo 2015/6
45,0
12
Campeonato Grego 2015/6
44,0
13
Campeonato Holandês 2015/6
42,3
14
Campeonato Português 2015/6
40,4
15
Campeonato Ucraniano 2015/6
24,3
*Foram incluídos os 16 principais campeonatos nacionais, dentre aqueles que são disputados por pontos corridos.

Não é novidade o Campeonato Brasileiro aparecer como o mais equilibrado do mundo. O que mudou, desta vez, é que a Série A apareceu acima da Segundona, o que não costuma acontecer. Logo em seguida, aparece o Campeonato Francês, outro que habitualmente figura entre os mais equilibrados do mundo – vale lembrar que o PSG passeou, mas houve grande equilíbrio entre as outras equipes (a diferença entre o vice-campeão e o penúltimo foi de só 28 pontos, menos que no Brasileiro).

Em termos de variação em relação ao ano passado, destaque para os britânicos: tanto o Inglês quanto o Escocês foram bem mais equilibrados desta vez. Caminho oposto fez o Campeonato Grego, que ficou perto da rabeira em 2015-16, depois de uma temporada bem disputada em 2014-15.

 E por falar em lanterna, não deixa de impressionar o quanto o Campeonato Ucraniano é desequilibrado. Não só o país tem o torneio menos balanceado pela 5ª vez seguida, como ainda fica 16 pontos atrás do penúltimo colocado (diferença maior do que a que existe entre o 1º e o 10º).

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

As verdadeiras chances dos brasileiros na Olimpíada – conclusão

Está chegando mais uma Olimpíada e, com a proximidade do evento, cresce o oba-oba ao redor dos atletas brasileiros. Este ano, o otimismo está ainda maior, com os Jogos sendo disputados no Rio de Janeiro e o Governo Federal estabelecendo a meta de ficar entre os 10 melhores países no total de medalhas.

Para tentar uma previsão objetiva e longe do otimismo exagerado da imprensa, fizemos um levantamento das chances de todos os atletas brasileiros que estarão na Rio-2016, com base nos rankings mundiais de suas modalidades. Os resultados estão nos links abaixo:

- Atletismo e natação (incluindo maratona aquática)
- Badminton, basquete, boxe, canoagem, ciclismo, esgrima, futebol, ginástica, golfe, handebol, hipismo e hóquei na grama
- Judô, levantamento de peso, luta, nado sincronizado, pentatlo moderno, polo aquático, remo, rúgbi, saltos ornamentais, taekwondo, tênis, tênis de mesa, tiro, tiro com arco, vela, vôlei e vôlei de praia

Para resumir os resultados de todos esses levantamentos, vejamos qual seria a previsão do desempenho do Brasil no quadro de medalhas, com a contribuição de cada esporte:

Esporte
Ouro
Prata
Bronze
Pode Surpreender
Atletismo
1


3

Basquete




2
Boxe
1
1



Esgrima




3
Futebol



1
1
Ginástica



1
1
Handebol




1
Judô*


2

1
Luta




1
Natação**


1

6
Polo Aquático




2
Rúgbi




1
Taekwondo




1
Tênis


1


Tiro
1




Vela
1



4
Vôlei
1

1


Vôlei de Praia



1
2
TOTAL
5
1
5
6
26
*No judô, o 4º lugar vale medalha de bronze
**Inclui maratona aquática

Seguindo ao pé da letra as previsões elaboradas a partir dos rankings mundiais, o Brasil deveria ganhar 5 medalhas de ouro, 1 medalha de prata e 5 medalhas de bronze na Olimpíada deste ano. Tomando como base o quadro de medalhas da Olimpíada de Londres, esse desempenho seria suficiente para colocar o Brasil na 17ª posição – resultado melhor que o 22º lugar alcançado em 2012.

Por outro lado, a previsão aponta um total de apenas 11 medalhas, número menor que o alcançado em Londres (17) e muito abaixo do necessário para a meta de colocar o Brasil no “top 10” dessa contagem (seria preciso ganhar 28 medalhas, aproximadamente).

No entanto, há uma esperança. O método usado para fazer as previsões não leva em consideração uma vantagem que nossos atletas terão nesta Olimpíada: o fator casa. Com a ajuda da torcida não é absurdo imaginar que parte dos competidores para os quais se prevê o 4º lugar ou que “podem surpreender” (5º a 8º lugar) acabem conseguindo lugares no pódio, com a ajuda da torcida. Assim, numa previsão mais otimista, dá para imaginar o Brasil alcançando 20 a 25 medalhas, no total (mas para entrar no “top 10” vai ser preciso uma enorme dose de sorte).

Assim, o leitor já sabe o que esperar dos brasileiros nos Jogos Olímpicos Rio-2016. Após o término das Olimpíadas, publicarei um balanço mostrando quais atletas surpreenderam e quais decepcionaram e se os resultados previstos, na média, corresponderam à realidade.

terça-feira, 2 de agosto de 2016

As verdadeiras chances dos brasileiros na Olimpíada – parte 3

Está chegando mais uma Olimpíada e, com a proximidade do evento, cresce o oba-oba ao redor dos atletas brasileiros. Este ano, o otimismo está ainda maior, com os Jogos sendo disputados no Rio de Janeiro e o Governo Federal estabelecendo a meta de ficar entre os 10 melhores países no total de medalhas.  

Mas será que essas aspirações são realistas? Para prever de forma objetiva o que se pode esperar dos brasileiros na Rio-2016, basta olhar para a posição que cada atleta ocupa no ranking de sua modalidade. Ok, esse está longe de ser um critério perfeito, mas, na média, indica resultados próximos da realidade, como se pode ver neste levantamentofeito pelo blog, em 2012.
 
Neste post, apresento as previsões para o desempenho de nossos atletas do judô, levantamento de peso, luta, nado sincronizado, pentatlo moderno, polo aquático, remo, rúgbi, saltos ornamentais, taekwondo, tênis, tênis de mesa, tiro, tiro com arco, vela, vôlei e vôlei de praia. Confira abaixo os links para as previsões das outras modalidades: 

- Atletismo e natação (incluindomaratona aquática)
- Badminton, basquete, boxe,canoagem, ciclismo, esgrima, futebol, ginástica, golfe, handebol, hipismo ehóquei na grama

O critério primário na elaboração da lista foi a posição dos atletas no ranking oficial de sua modalidade. Nos casos em que não existe ranking, tomou-se como base o resultado do último campeonato mundial. Nos esportes coletivos, é considerada a posição da equipe dentre as classificadas para a Olimpíada; em eventos individuais, considera-se a posição do atleta no ranking geral, levando-se em conta eventuais restrições quanto ao número de participantes de um mesmo país.

Com base na posição na lista de sua modalidade, os atletas brasileiros foram divididos nas cinco categorias a seguir:

Figurante: ranking abaixo de 16º. Disputa Olimpíada só para ganhar experiência/marcar presença. Qualquer vitória ou melhoria de marca pessoal já tornará a campanha positiva.
Coadjuvante: ranking entre 9º e 16º. Pode vencer um ou outro confronto, avançar de fase e até endurecer o jogo contra favoritos. Mas não dá para pensar em medalhas.
Pode surpreender: ranking entre 5º e 8º. Atleta de bom nível, que tem condições de viver grandes momentos nos Jogos. Não é favorito a medalhas, mas, com a ajuda da torcida e um pouco de sorte, pode descolar um lugar no pódio.
Briga por medalhas: ranking entre 2º e 4º. Não chega a ser o melhor do mundo, mas tem plenas condições de subir no pódio no Rio de janeiro.
Favorito: 1º lugar no ranking. É apontado como o melhor do mundo. Por isso, é o nome a ser batido na briga pela medalha de ouro.
 
Terminadas as explicações, confira o que se pode esperar de nossos atletas nesta Olimpíada:

Atleta
Esporte
Expectativa
Rafael Silva
Judô (acima 100kg)
Coadjuvante
Maria Suelen Altheman
Judô (acima 78kg)
Coadjuvante
Rafael Buzacarini
Judô (até 100kg)
Figurante
Sarah Menezes
Judô (até 48kg)
Pode surpreender
Erika Miranda
Judô (até 52kg)
Briga por medalhas
Rafaela Silva
Judô (até 57kg)
Coadjuvante
Felipe Kitadai
Judô (até 60kg)
Coadjuvante
Mariana Silva
Judô (até 63kg)
Coadjuvante
Charles Chibana
Judô (até 66kg)
Figurante
Maria Portela
Judô (até 70kg)
Coadjuvante
Alex Pombo
Judô (até 73kg)
Figurante
Mayra Aguiar
Judô (até 78kg)
Briga por medalhas
Victor Penalber
Judô (até 81kg)
Coadjuvante
Tiago Camilo
Judô (até 90kg)
Figurante
Mateus Gregório
Levantamento de peso (até 105kg)
Figurante
Rosane Santos
Levantamento de peso (até 53kg)
Figurante
Jaqueline Ferreira
Levantamento de peso (até 85kg)
Coadjuvante
Welisson Rosa
Levantamento de peso (até 85kg)
Figurante
Fernando Saraiva
Levantamento de peso (mais 105kg)
Coadjuvante
Aline Silva
Luta (acima 75kg)
Pode surpreender
Joice Silva
Luta (até 58kg)
Figurante
Lais Oliveira
Luta (até 63kg)
Figurante
Gilda de Oliveira
Luta (até 69kg)
Figurante
Eduard Soghomonyan
Luta (greco-romana até 130kg)
Coadjuvante
Equipe
Nado sincronizado
Coadjuvante
Dueto
Nado sincronizado
Coadjuvante
Yane Marques
Pentatlo moderno
Coadjuvante
Felipe Nascimento
Pentatlo moderno
Figurante
Seleção Masculina
Polo Aquático
Pode surpreender
Seleção Feminina
Polo Aquático
Pode surpreender
Dupla masculina
Remo (skiff duplo leve)
Coadjuvante
Dupla feminina
Remo (skiff duplo leve)
Coadjuvante
Seleção Feminina
Rúgbi
Pode surpreender
Seleção Masculina
Rúgbi
Coadjuvante
Dupla feminina
Saltos ornamentais (plataforma sincronizada)
Coadjuvante
Dupla masculina
Saltos ornamentais (plataforma sincronizada)
Coadjuvante
Ingrid Oliveira
Saltos ornamentais (plataforma)
Figurante
Hugo Parisi
Saltos ornamentais (plataforma)
Figurante
Dupla masculina
Saltos ornamentais (trampolim sincronizado)
Coadjuvante
Dupla feminina
Saltos ornamentais (trampolim sincronizado)
Coadjuvante
César Castro
Saltos ornamentais (trampolim)
Coadjuvante
Juliana Veloso
Saltos ornamentais (trampolim)
Figurante
Maicon Siqueira
Taekwondo (acima 80kg)
Figurante
Iris Tang Sing
Taekwondo (até 49kg)
Pode surpreender
Julia Vasconcelos
Taekwondo (até 57kg)
Figurante
Venilton Teixeira
Taekwondo (até 58kg)
Figurante
Dupla masculina
Tênis
Briga por medalhas
Thomaz Bellucci
Tênis
Figurante
Rogério Dutra
Tênis
Figurante
Teliana Pereira
Tênis
Figurante
Dupla feminina
Tênis
Figurante
Equipe Feminina
Tênis de mesa
Figurante
Equipe Masculina
Tênis de mesa
Figurante
Hugo Calderano
Tênis de mesa
Figurante
Gustavo Tsuboi
Tênis de mesa
Figurante
Caroline Kuhamara
Tênis de mesa
Figurante
Gui Lin
Tênis de mesa
Figurante
Rosane Ewald
Tiro (carabina de ar)
Figurante
Cassio Rippel
Tiro (carabina deitado)
Figurante
Janice Teixeira
Tiro (fossa olímpica)
Figurante
Roberto Schmits
Tiro (fossa olímpica)
Figurante
Felipe Wu
Tiro (pistola de ar)
Favorito
Julio Almeida
Tiro (pistola de ar)
Figurante
Felipe Wu
Tiro (pistola livre)
Figurante
Julio Almeida
Tiro (pistola livre)
Figurante
Emerson Duarte
Tiro (pistola tiro rápido)
Figurante
Daniela Carraro
Tiro (skeet)
Figurante
Renato Portela
Tiro (skeet)
Figurante
Marcus d'Almeida
Tiro com arco
Figurante
Ane dos Santos
Tiro com arco
Figurante
Bernardo Oliveira
Tiro com arco
Figurante
Daniel Xavier
Tiro com arco
Figurante
Marina Canetta
Tiro com arco
Figurante
Sarah Niktin
Tiro com arco
Figurante
Pâmella Oliveira
Triatlo
Figurante
Diogo Sclebin
Triatlo
Figurante
Dupla feminina
Vela (470)
Pode surpreender
Dupla masculina
Vela (470)
Figurante
Gabriel Borges
Vela (49er)
Figurante
Dupla feminina
Vela (49erFX)
Favorito
Jorge Zarif
Vela (finn)
Pode surpreender
Fernanda Decnop
Vela (laser radial)
Figurante
Robert Scheidt
Vela (laser)
Pode surpreender
Dupla mista
Vela (nacra17)
Figurante
Ricardo Winicki
Vela (RSX)
Pode surpreender
Patrícia Freitas
Vela (RSX)
Coadjuvante
Seleção Masculina
Vôlei
Favorito
Seleção Feminina
Vôlei
Briga por medalhas
Larissa/Talita
Vôlei de praia
Briga por medalhas
Alisson/Bruno
Vôlei de praia
Pode surpreender
Evandro/Pedro
Vôlei de praia
Pode surpreender
Ágatha/Bárbara
Vôlei de praia
Coadjuvante

Nesta parte da lista, estão a maioria dos esportes que tradicionalmente trazem medalhas para o Brasil. E, de fato, alguns devem repetir o sucesso, como o vôlei (um ouro e um bronze, de acordo com a previsão) e a vela (1 ouro, mais 4 possíveis surpresas). Por outro lado, a análise dos rankings aponta uma provável decepção: o judô, esporte que é um dos mais badalados pela imprensa, mas no qual os rankings apontam apenas duas medalhas de bronze.

Por outro lado, se o Brasil ganhar uma das primeiras medalhas de ouro da Olimpíada, já na tarde de sábado, em um esporte no qual não temos nenhuma tradição, não se surpreenda. O brasileiro Felipe Wu é o líder do ranking mundial na categoria pistola de ar, no tiro esportivo, e é, portanto, favorito à medalha de ouro.

De resto, a maioria dos atletas (49 de 92) ainda é considerada figurante, mas aqui há um grupo mais numeroso entre os que podem surpreender, passando por esportes como judô, luta, polo aquático, taekwondo, vela e vôlei de praia (o rúgbi feminino também está nessa categoria, mas não se engane: só aparece como “pode surpreender” porque é o 8º colocado entre 8 equipes participantes).