domingo, 8 de julho de 2012

Balanço estatístico da Eurocopa

Passada a comoção com a final da Libertadores, volto a falar da Euro-2012, encerrada há uma semana. Estatisticamente, o que podemos falar sobre o título espanhol?

Primeiro, o óbvio: com sua 3ª conquista, a Espanha se iguala à Alemanha como a maior campeã da competição. No entanto, a Fúria ainda está longe dos alemães no ranking histórico do torneio. Vejamos como ficou a lista, após a Euro-2012:

Pos.
País
Pontos
1
Alemanha
552,4
2
Espanha
427,7
3
Rússia
346,7
4
França
305,9
5
Rep. Tcheca
286,6
6
Itália
283,6
7
Holanda
280,8
8
Dinamarca
209,8
9
Portugal
159,3
10
Inglaterra
157,7
11
Iugoslávia
150,0
12
Grécia
133,1
13
Bélgica
108,3
14
Suécia
65,2
15
Hungria
58,3
16
Croácia
52,6
17
Turquia
48,0
18
Romênia
44,4
19
Escócia
28,3
20
Irlanda
26,3
21
Suíça
22,1
22
Bulgária
15,4
23
Polônia
14,2
24
Noruega
11,1
25
Ucrânia
8,3
26
Áustria
8,3
27
Eslovênia
7,7
28
Letônia
7,1

Com o título, a Espanha superou a Rússia e assumiu o segundo lugar do ranking. A vice-campeã Itália também ganhou uma posição, assim como a República Tcheca. Ambas superaram a Holanda, sem dúvida a surpresa negativa de 2012. Outra mudança significativa foi o crescimento de Portugal, que entrou no “top 10” e se tornou o país com mais tradição que nunca venceu uma Eurocopa.

Voltando a falar sobre a Espanha, o título da Fúria trouxe vários fatos inéditos. Como muitos já disseram, foi o primeiro time a ganhar 2 Euros seguidas, e também o primeiro a ser campeão de 3 torneios internacionais (Euro-2008, Copa-2010, Euro-2012) em série (a não ser que se considerem as Copas Américas “extra”, disputadas nos anos 1940).

Mas esses títulos espanhóis incluem um feito pouco divulgado aqui no Brasil: nas 10 partidas de mata-mata que a Fúria disputou, a equipe não sofreu nenhum gol. Isso mesmo: ZERO gols sofridos em 10 jogos decisivos (a última vez que a defesa da Espanha foi vazada em um jogo eliminatório foi na Copa de 2006).

Na goleada de 4 a 0 sobre a Itália, na final, mais um feito: foi a primeira vez que a Azzurra levou 4 gols em uma partida desde 1979 (quando perdeu um amistoso por 4x1 para a Iugoslávia). Se considerarmos só jogos oficiais, temos que voltar até a final da Copa de 1970 (1x4 Brasil) para achar outra goleada dessas. Alguma vez a Itália já sofreu mais gols? Sim, mas o caso mais recente aconteceu há mais de 50 anos, em 1957 (1x6, de novo contra a Iugoslávia).

Com os dois jogos deste torneio, Itália x Espanha tornou-se uma das partidas mais comuns em Eurocopas, já tendo acontecido 5 vezes, mesmo número de repetições de Alemanha x Holanda (que também se enfrentaram em 2012) e Alemanha x República Tcheca.

Na Euro-2012, foram realizadas 2 disputas por pênaltis. Ao vencer Portugal, a Espanha melhorou seu aproveitamento para 50%, com 4 vitórias e 4 derrotas (3x1 em Eurocopas). Já os lusos conheceram sua primeira derrota, tendo vencido suas duas disputas anteriores.

No outro encontro, a Itália manteve a boa fase recente em disputas de pênaltis, chegando a sua 3ª vitória desde 2000. Ao todo, agora são 3 triunfos e 5 derrotas para a Azzurra (2x2 em Eurocopas). Já a Inglaterra segue como o saco de pancadas dos pênaltis: o English Team tem apenas 1 vitória, contra 6 derrotas (1x3 em Euros). Com esse retrospecto, há que se perguntar: por que cargas d’água os ingleses jogaram pelo empate contra a Itália?

Para terminar, vejamos como a média de gols desta Eurocopa se compara com as edições anteriores. Com 2,452 por partida, foi a pior média em Euros desde 1996. Por outro lado, é um valor superior ao das últimas duas Copas do Mundo.

Aliás, neste século, a Euro sempre tem superado o Mundial, em termos de média de gols. Vejamos o gráfico:

*Em azul, as médias de gols das Copas do Mundo; em vermelho, as das Euros. Não foram incluídos as Eurocopas anteriores a 1980, por contarem com apenas 3 partidas em cada edição.

terça-feira, 3 de julho de 2012

Boas (e más) notícias para o Corinthians



O inesperado empate nos últimos minutos do Corinthians com o Boca Juniors, no jogo de ida da final da Libertadores, foi motivo de grande comemoração para os torcedores alvinegros. Não só pelo caráter dramático do resultado, mas também pela percepção de que o mais difícil já havia sido feito: sair da temida Bombonera sem ser derrotado.

Mas qual será, realmente, a força do estádio do Boca Juniors? Vejamos: na Libertadores, a equipe argentina tem 80 vitórias, 24 empates e 9 derrotas em seu estádio. Isso dá um aproveitamento de 81,4%, considerando-se 2 pontos por vitória. Como visitantes, os Xeneizes têm aproveitamento de apenas 49,6%. Ou seja, pode-se creditar à Bombonera diferença de 31,8 pontos percentuais.

Tal variação não é tão grande quanto parece. Para comprovar isso, basta olhar os resultados do Corinthians na Libertadores. Jogando em São Paulo, o alvinegro tem 83,3% de aproveitamento (mais que o Boca na Bombonera); fora, o time ganha só 45,2% dos pontos (menos que o Boca como visitante). Assim, atuar em frente à Fiel melhora o aproveitamento corintiano em 38,1 pontos percentuais – bem mais que a Bombonera!

E não é só isso que pode deixar os corintianos otimistas, considerando o retrospecto das equipes. Em jogos eliminatórios da Libertadores, duas vezes o Corinthians empatou a primeira partida fora de casa. E, em ambas, a equipe se deu bem: eliminou o Jorge Wilstermann, em 1999, e o Atlético-MG, em 2000. Já o Boca tem um retrospecto mediano nas vezes em que empatou o primeiro jogo na Bombonera: ganhou 4 confrontos (Palmeiras em 2000 e 2001, Libertad em 2007, Atlas em 2008) e perdeu 3 (Olimpia em 2002, Once Caldas em 2004 e Fluminense em 2008).

Se, até aqui, todos os dados são favoráveis ao Corinthians, em um quesito a superioridade do Boca é indiscutível: nas disputas de pênaltis. Nesse tipo de decisão, em Libertadores, a equipe tem 6 vitórias e apenas 2 derrotas. Já o Corinthians perdeu as mesmas 2 vezes, mas ganhou apenas 1.

Com base em todos esses números, a que conclusão pode-se chegar? Fazendo uma conta simples, com base no retrospecto dos dois times como mandantes e visitantes na Libertadores, haveria chance de 57% de vitória corintiana, 20% de empate e 23% de o Boca sair vencedor. Incluindo na conta o aproveitamento das duas equipes nos pênaltis, a conclusão é que há uma chance de 63% de o Corinthians ser campeão, contra 37% do título ir para a Argentina. Isso para quem acredita que o passado serve como guia para prever o futuro...

domingo, 1 de julho de 2012

A inédita invencibilidade do Corinthians

Na próxima quarta-feira, as atenções de todos os torcedores de futebol brasileiros estarão voltadas para a final da Copa Libertadores. Nesse jogo, o Corinthians tem a chance de não só ganhar seu primeiro título do torneio, como também de ser campeão invicto – algo que não acontece na competição desde 1978.

No entanto, a equipe brasileira pode conseguir algo ainda mais difícil. Se o Corinthians for derrotado nos pênaltis pelo Boca Juniors, será  primeira equipe na história da Libertadores a ser vice-campeã invicta. Tão raro é esse “feito” que ele também nunca aconteceu na Liga dos Campeões da Europa, nem na Copa dos Campeões da África, nem na Liga dos Campeões da Oceania (há casos registrados na Concacaf e na Ásia).

Se o Corinthians for campeão invicto, será mesmo um grande feito, no contexto sul-americano. A Libertadores já teve 6 campeões sem derrotas, mas nenhum deles no formato atual, em que são disputados 14 jogos até o título (os outros fizeram no máximo 8 partidas). Confira abaixo a lista dos campeões invictos da Libertadores:

Time
Ano
V
E
Corinthians*
 2012?
8
6
Boca Juniors
1978
4
2
Estudiantes
1970
3
1
Estudiantes
1969
4
0
Independiente
1964
6
2
Santos
1963
3
1
Peñarol
1960
3
4
*Supondo vitória sobre o Boca; se o título vier nos pênaltis, serão 7 vitórias e 7 empates

Curiosamente, na Liga dos Campeões da Europa, ser campeão invicto é algo muito mais frequente: ao todo, 13 times alcançaram esse feito. O mais recente é o Manchester United, que em 2008 levantou a taça com uma campanha de 9 vitórias e 4 empates.

Os outros campeões invictos na Europa são Barcelona (2006), Manchester United (1999), Ajax (1995 e 1972), Milan (1994 e 1989), Olympique de Marselha (1993), Crvena Zvezda (1991), Liverpool (1984 e 1981), Nottinham Forest (1979) e Internazionale (1964). Os dois últimos, junto com o Liverpool de 1984, foram os que fizeram as melhores campanhas: 7 vitórias e 2 empates, em 9 jogos disputados.