A Copa do Mundo de 2026 terminou, com um merecido título da Espanha. Terminados os jogos, as polêmicas e todo o barulho que cerca o torneio, podemos fazer um balanço do desempenho de cada seleção.
Como nos outros Mundiais, atribuí uma nota para o desempenho de cada país, considerando os resultados alcançados e a qualidade do futebol exibido, em comparação com o esperado antes do torneio.
Espanha 10
Não fez uma boa primeira fase. Mas o que importa, para quem quer ser campeão, é o mata-mata. O caminho da Espanha foi difícil (Áustria, Portugal, Bélgica, França e Argentina), e o time cresceu à medida que avançou, vencendo todos os confrontos com méritos. Não é acaso que, na “Copa dos grandes craques”, ganhou o título quem teve o elenco mais completo, sem depender de um único astro.
Cabo Verde 9
Foi a “Cinderela” da Copa. Ter passado da primeira fase não é tão impressionante, mesmo para um país pequeno. Mas ter segurado empates durante 90 minutos contra Espanha e Argentina é um feito incrível. O time não só mostrou uma raça incrível na defesa, mas ainda conseguiu ir atrás dos empates quando esteve atrás no placar – uma vez contra o Uruguai e duas contra os argentinos. É esse tipo de desempenho que mantém a mística do futebol.
Marrocos 9
Voltou às quartas-de-final, mostrando que o 4º lugar de 2022 não foi mera sorte. Conseguiu empates com Brasil e Holanda sem apelar para retranca e despachou sem sustos os adversários de menor qualidade. Hoje é com folga o melhor time fora da Europa/América do Sul.
Noruega 9
Não só derrotou o Brasil, como passou com facilidade pelos adversários menores que enfrentou, e ainda fez jogo duro na eliminação contra a Inglaterra. Foi mais que um coadjuvante e já se coloca como um dos bons times do “segundo escalão” do futebol mundial.
Argentina 8
A Argentina era candidata ao título, mas só ficou com o vice. No entanto, olhando para o elenco e para o desempenho em toda a Copa, a verdade é que o segundo lugar foi um bom resultado. Mesmo com adversários fáceis, a Argentina sofreu em todo o mata-mata, dependendo de muita raça e de momentos de genialidade individual para vencer. Não foi a despedida dos sonhos de Messi, mas ter levado esse time limitado a uma terceira final em quatro Copas é mais um feito que o credencia como um dos maiores de todos os tempos.
Suíça 8
Com competência, aproveitou o caminho fácil a sua frente para chegar até as quartas-de-final. Não encantou em nenhum momento, mas foi sólida e conseguiu um resultado final muito acima do esperado.
Canadá 8
Não se esperava muito do Canadá, mesmo sendo anfitrião. Por isso, ter chegado até as oitavas-de-final é considerado positivo. É verdade que os resultados da fase de grupos não foram nada brilhantes e que o time deu sorte de pegar um adversário fraco como a África do Sul na segunda fase. Mas o resultado final, muito acima das participações anteriores da equipe, é o que mais conta.
Egito 8
Fez uma primeira fase respeitável e aproveitou a sorte de pegar a Austrália na segunda etapa para avançar até as oitavas. Ficou a poucos minutos de conseguir uma zebra histórica contra a Argentina e tem motivos para reclamar da arbitragem (embora não tenha sido o principal motivo para a derrota). Sai da Copa do Mundo com muito mais crédito do que quando entrou.
França 7
Entrou como grande favorita ao título e mostrou o melhor futebol da Copa do Mundo até as quartas-de-final. Mas na semifinal deu de cara com a parede da Espanha, que eliminou com méritos os franceses. Foi uma decepção para os Bleus, mas não é nenhum fiasco. Certamente a França seguirá brigando por títulos nos próximos Mundiais, e, se mantiver o ritmo, Kylian Mbappé será lembrado como o maior jogador da história das Copas do Mundo.
Estados Unidos 7
Jogou um ótimo futebol contra Paraguai, Austrália e Bósnia, e até começou a sonhar com voos mais altos. Perdeu a boa-vontade da torcida estrangeira depois da interferência política que reverteu a suspensão de Folarin Balogun e viu a Bélgica jogar seu melhor futebol no confronto entre das oitavas-de-final, acabando com qualquer chance de vitória. Ainda assim, o saldo foi mais que positivo.
Austrália 7
Pela segunda vez seguida, a Austrália chegou à Copa totalmente desacreditada e mesmo assim deu um jeito de passar da primeira fase. E foi com méritos: derrotando a Turquia e empatando com o Paraguai, dois adversários respeitáveis. Com um pouco mais de ambição, poderia ter passado pelo Egito para chegar ainda mais longe no Mundial.
Colômbia 7
Teve momentos de bom futebol, especialmente na partida contra Portugal, e terminou o Mundial como segundo melhor time da América do Sul, mostrando que o vice-campeonato da Copa América não foi mera sorte. Teve a chance de ir mais longe, mas tropeçou na organizada equipe suíça.
Bélgica 7
Já se sabia que a Bélgica estava longe de seu melhor momento, e isso ficou claro no fraquíssimo desempenho da equipe nas duas primeiras partidas. Mas depois o time se acertou, principalmente no ataque, com 12 gols nos três jogos seguintes, chegando até as quartas-de-final. Mesmo eliminada pela Espanha, tem o consolo de ser a única equipe a marcar um gol nos campeões nesta Copa.
África do Sul 7
Depois de tomar um baile do México na estreia, a África do Sul parecia destinada à eliminação. Mas o time se recuperou, segurou um empate contra a República Tcheca e surpreendeu a Coreia do Sul, garantindo o segundo lugar no grupo. Decepcionou um pouco na segunda fase, com uma apresentação pobre contra o Canadá, mas sua missão já estava cumprida.
Inglaterra 6
Em nenhum momento nesta Copa do Mundo a Inglaterra conseguiu convencer. Estreou bem contra a Croácia, mas teve desempenho medíocre nos três jogos seguintes, contra adversários limitados. Foi bem contra o México e a Noruega, só para decepcionar de novo contra a Argentina. No final, o terceiro lugar foi o melhor resultado inglês na história, excluída a Copa que jogou em casa. Mesmo assim, fica a sensação de que o time poderia entregar mais.
México 6
O México que conhecemos voltou! Jogou como nunca nesta Copa e, como sempre, foi eliminado nas oitavas-de-final (assim como em oito dos últimos nove Mundiais), de maneira dramática. Mostrou um futebol ofensivo e gostoso de assistir, então pode sair satisfeito, apesar de a classificação final ter sido pior que nas outras duas Copas que recebeu.
Paraguai 6
Tomou um baile dos Estados Unidos na estreia, arrancou uma vitória meio que na sorte contra a Turquia e só empatou contra a Austrália na primeira fase. Tudo indicava para uma Copa medíocre do Paraguai. Mas aí o time deu um jeito de eliminar a Alemanha na segunda fase, o que valeu a viagem para os sul-americanos. Não ganha nota maior por causa do futebol horroroso apresentado em todas as partidas.
RD Congo 6
O maior feito dos congoleses foi empatar com Portugal na estreia, resultado que acabou custando aos portugueses a liderança do grupo. Depois, perdeu apertado para a Colômbia e ganhou sem problemas do Uzbequistão – tudo dentro do normal. Por fim, despediu-se da Copa dando um susto na Inglaterra. Não fez nada brilhante, mas cumpriu seu papel.
Bósnia e Herzegovina 6
Outro time que não fez nada brilhante, mas cumpriu seu papel: perdeu da Suíça, que era claramente mais forte, ganhou do fraco Catar, e empatou com o anfitrião Canadá. Acabou eliminado na segunda fase, frente a uma seleção estadunidense no auge da empolgação. Fez papel digno, apesar de nada brilhante.
Japão 5
Os japoneses impressionaram pela habilidade, organização tática e bom futebol. Jogaram de igual para igual com dois gigantes, Holanda e Brasil, mas não conseguiram uma vitória que os permitiria ir mais longe. O resultado acaba sendo decepcionante porque os gigantes em questão não eram invencíveis (Marrocos e Noruega que o digam) e porque o Japão havia chegado nas oitavas-de-final das últimas duas Copas. Mesmo assim, é uma seleção de enorme potencial – só precisa aprender a vencer os grandes jogos, para não virar um novo México.
Gana 5
Depois de uma preparação bagunçada e num grupo relativamente difícil, ter chegado até a segunda fase foi um bom resultado para Gana. Por outro lado, seu futebol foi um dos mais feios e defensivos do torneio – por isso não ganha uma nota melhor.
Costa do Marfim 5
Não decepcionou nem se destacou. Seu resultado mais importante foi ter vencido o Equador na estreia, em um jogo pobre. Depois, o óbvio: perdeu para a Alemanha e ganhou de Curaçao. Foi eliminada pela Noruega, mostrando que ainda não está no nível nem dos times do segundo escalão mundial.
Curaçao 5
Curaçao era a favorita para ser a pior seleção da Copa, e de fato foi eliminada na primeira fase. Mas pelo menos conseguiu marcar um gol contra a Alemanha e arrancou um empate contra o Equador. Já está de bom tamanho, para o menor país a disputar um Mundial na história.
Suécia 5
Caiu num grupo difícil e teve que se contentar em ser coadjuvante contra Holanda e Japão. Fez o que foi possível e conseguiu passar para a segunda fase, quando acabou eliminada por uma França muito superior. Pelo menos seus jogos foram divertidos, sem apelar para a retranca.
Irã 5
Prejudicado pela política dos Estados Unidos, o Irã acabou eliminado na primeira fase, mas sai de cabeça erguida, já que volta invicto para casa. E ainda teve o gol que seria da classificação anulado por um impedimento milimétrico. Poderia ter feito ainda melhor, se não tivesse bobeado na estreia contra a Nova Zelândia.
Senegal 5
O (vice?)campeão africano não teve como resistir às ótimas equipes de França e Noruega, mas depois se aproveitou da fragilidade do Iraque para construir um saldo de gols positivo e avançar para a segunda fase. Então, fez boa partida contra a Bélgica e caiu só na prorrogação. Três derrotas em quatro jogos não é um bom desempenho, mas é difícil imaginar como o Senegal poderia ter feito muito mais.
Argélia 5
Tomou um baile da Argentina na estreia, ganhou com dificuldades da fraca Jordânia e se classificou graças a um empate dramático (mas muito conveniente para ambas as equipes) contra a Áustria. Acabou eliminada pela Suíça na segunda fase, o que estava dentro do previsto, sem surpresas nem decepções.
Brasil 4
Jogou de igual para igual com o Marrocos, e empatou. Jogou de igual para igual contra o Japão, e venceu. Jogou de igual para igual com a Noruega, e acabou derrotado. Embora sejam bons adversários, o Brasil tem que se perguntar como chegou ao ponto de jogar de igual para igual com três times do segundo escalão do futebol mundial, em plena Copa do Mundo. Os problemas da Seleção vão muito além de eventuais erros do técnico e de uma preparação malfeita nos últimos quatro anos. Já faz tempo que o Brasil joga como um time de segunda linha, e vai acabar preso nesse patamar se não repensar a maneira como revela e desenvolve seus jogadores, entre outros problemas.
Holanda 4
A Holanda era apontada por muitos como possível surpresa na briga pelo título. Em vez disso, amargou um empate na estreia contra o Japão e uma eliminação nos pênaltis (pela quarta vez em Copas, igualando o recorde da Espanha) logo na segunda fase, contra Marrocos. A Oranje não jogou mal, mas bobeou na hora decisiva e acabou como uma das grandes decepções da Copa.
Portugal 4
Ser eliminado pela Espanha por 1 a 0, num jogo parelho, é perfeitamente aceitável – ainda mais depois de ganhar da Croácia por um fio de cabelo (literalmente). O problema é que Portugal poderia ter pego uma chave muito mais fácil se não tivesse ficado em segundo lugar de seu grupo, após empatar com Colômbia e RD Congo. Além do resultado final, Portugal decepcionou por não apresentar um futebol convincente, compatível com o talento de seu elenco.
Croácia 4
Estava evidente que a Croácia já tinha passado há muito tempo de sua melhor fase. Perdeu feio para a Inglaterra e sofreu muito para vencer os limitados times de Panamá e Gana. Jogou melhor na eliminação apertada contra Portugal, na segunda fase. Foi o mínimo para evitar um vexame na despedida de sua geração mais vitoriosa.
Áustria 4
Já se sabia que a Áustria não tinha um timaço, mas depender de um empate dramático (e conveniente) contra a limitada Argélia para evitar uma eliminação logo na primeira fase ficou aquém do esperado. Na segunda fase, não viu a cor da bola contra a Espanha. Decepcionou mais pelo futebol do que pelo resultado final.
Nova Zelândia 4
Surpreendeu na estreia contra o Irã, conseguindo um ponto em um jogo divertido, com direito a um gol que pode ter sido o mais bonito da Copa. Mas depois mostrou todas suas limitações contra Egito e Bélgica e acabou eliminada logo na primeira fase, conforme o esperado.
Equador 4
Não se esperava muito do Equador, mas não conseguir ganhar de Curaçao foi um dos maiores vexames do torneio. O time já havia perdido na estreia para a Costa do Marfim e só passou de fase graças à vitória contra uma Alemanha que já estava classificada. Na segunda fase, perdeu de maneira inapelável para o México. Ou seja, volta para casa sem nada muito positivo para mostrar.
Haiti 4
Outro candidato a pior time da Copa, o Haiti revelou-se muito fraco mesmo. Perdeu seus três jogos, mas evitou goleadas, e até fez boa partida na despedida contra Marrocos. Não dá para dizer que foi uma boa participação, mas poderia ter sido muito pior.
Alemanha 3
Passou com tranquilidade pela fase de grupos, mas foi mal contra raçudo, mas limitadíssimo, Paraguai. Assim, pela terceira Copa do Mundo seguida, não ficou nem entre as 16 melhores equipes (antes, ficara entre os oito melhores em todos os Mundiais desde 1954). Assim como o Brasil, a Alemanha tem se enrolado contra adversários de segundo escalão e ainda perdeu sua tradicional “frieza” (tanto que foi eliminada nos pênaltis pela primeira vez na história). Precisa repensar todo seu futebol se quiser voltar a ser protagonista.
Coréia do Sul 3
Começou bem a Copa, com uma vitória sobre a República Tcheca. Perdeu para o México, o que era esperado, mas decepcionou ao ser derrotada também pela África do Sul. A cada torneio, vai ficando mais para longe do Japão, seu grande rival regional.
Catar 3
Começou bem a Copa contra a Suíça, mostrando lampejos que justificassem o fato de ser o atual bicampeão asiático. Mas depois foi muito mal contra o Canadá e a Bósnia e acabou eliminado na primeira fase – assim como sete dos nove times da Ásia, continente que mais decepcionou no torneio.
Tunísia 3
Tomou um baile nos três jogos que disputou, o que fez com que terminasse a Copa em penúltimo lugar, sendo o único time da África eliminado na primeira fase. O elenco tunisiano era mesmo limitado, e caiu no grupo mais forte do torneio, mas mesmo assim poderia ter criado mais dificuldades para seus adversários.
Arábia Saudita 3
Perder para a Espanha, mesmo de goleada, é normal. Empatar com o Uruguai até foi um bom resultado. Mas depois empatar o jogo decisivo contra Cabo Verde, sem nem ameaçar o adversário, foi muito decepcionante. A Arábia Saudita vinha sem grandes expectativas, e mesmo assim ficou abaixo do esperado.
Jordânia 3
Já se sabia que a Jordânia era um time muito fraco, e não por acaso perdeu as três partidas que disputou. Até mostrou sinais de resistência contra Áustria e Argélia, mas acabou derrotada pelos dois limitados adversários.
Escócia 2
Mesmo numa Copa em que 32 passavam para a segunda fase, mesmo tendo o fraquíssimo Haiti no grupo, a Escócia conseguiu, mais uma vez, ser eliminada logo na fase de grupos – pela nona vez em nove participações em Mundiais. E foi merecido: suou para fazer 1 a 0 no Haiti e foi claramente inferior ao Marrocos (mesmo perdendo por só um gol), além de não apresentar resistência ao Brasil.
República Tcheca 2
Uma das maiores decepções da Europa, os tchecos começaram mal ao perder da Coréia do Sul. Isso abalou a equipe, que só empatou com a África do Sul e tomou um baile do México, mesmo com os Aztecas já classificados. Acabou em último lugar, em um grupo que não era dos mais difíceis.
Panamá 2
Já se sabia que a seleção panamenha era tecnicamente limitada, mas isso só piorou com as retrancas apresentadas nas três partidas – o que nem adiantou, já que perdeu todos os jogos. Mais do que pelos placares, merece a nota ruim pelas péssimas partidas que protagonizou.
Uzbequistão 2
Mesmo com um time limitado, acreditava-se que o Uzbequistão poderia complicar a vida de Colômbia e RD Congo – como fizeram outros estreantes, como Cabo Verde ou Curaçao. Mas os uzbeques não tiveram a mesma sorte: apesar de alguns bons momentos, foram derrotados com sobras nas três partidas.
Iraque 2
Mais um asiático fraquíssimo, o Iraque acabou a Copa em último lugar. Não foi o pior time do Mundial, mas deu azar de pegar dois ótimos ataques (França e Noruega) e um adversário que precisava do saldo de gols para avançar (Senegal). Tanto pelo desempenho iraquiano como pelo dos asiáticos como um todo, a FIFA deveria rever o número de vagas do continente na próxima Copa do Mundo.
Turquia 1
Muita gente apontava a Turquia como possível zebra do Mundial. E o time realmente surpreendeu – só que negativamente. Perdeu na estreia para a Austrália e não conseguiu se recuperar do gol sofrido no comecinho contra o Paraguai, mesmo com um jogador a mais durante todo o segundo tempo. A vitória contra o já classificado time dos Estados Unidos na despedida não impediu que ficasse na lanterna de um grupo em que não havia nenhum grande adversário.
Uruguai 1
Sem dúvida, foi a maior decepção da Copa do Mundo. A derrota para a Espanha, no jogo que selou a eliminação, foi o de menos. Ruim mesmo foi o Uruguai não ter conseguido ganhar nem da Arábia Saudita nem de Cabo Verde. A Celeste não tinha um timaço, mas deveria passar com facilidade em um grupo com dois adversários fracos. Brigas no elenco e mau comportamento dentro de campo só contribuíram para piorar o fiasco.